Aretha Franklin foi criada na Igreja Batista dos Estados Unidos. Na adolescência, já cantava nos cultos comandados por seu pai, C.L. Franklin. Ficou famosa sua gravação de "Precious Lord", aos 14 anos de idade. Porém, o sucesso comercial veio a partir dos anos 1960, com o soul e o blues. Por quase dez anos, Aretha cantou músicas de amor, deixando supostamente de lado a religião. Eleita pela revista "Rolling Stone" a maior cantora do século XX, os irmãos de fé de Aretha a criticavam por ter abandonado Jesus. O jejum teve fim definitivo em janeiro de 1972, com a gravação em Los Angeles (Califórnia) do cd "Amazing grace", na New Temple Missionary Baptist Church. Ganhou o Grammy pela empreitada. Já um mistério ronda a gravação. O cineasta Sydney Pollack acompanhou Aretha para a realização do documentário-musical com os bastidores de "Amazing grace". Até hoje ele não foi finalizado, Pollack morreu e Aretha não o libera ao público.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
A Graça
Aretha Franklin foi criada na Igreja Batista dos Estados Unidos. Na adolescência, já cantava nos cultos comandados por seu pai, C.L. Franklin. Ficou famosa sua gravação de "Precious Lord", aos 14 anos de idade. Porém, o sucesso comercial veio a partir dos anos 1960, com o soul e o blues. Por quase dez anos, Aretha cantou músicas de amor, deixando supostamente de lado a religião. Eleita pela revista "Rolling Stone" a maior cantora do século XX, os irmãos de fé de Aretha a criticavam por ter abandonado Jesus. O jejum teve fim definitivo em janeiro de 1972, com a gravação em Los Angeles (Califórnia) do cd "Amazing grace", na New Temple Missionary Baptist Church. Ganhou o Grammy pela empreitada. Já um mistério ronda a gravação. O cineasta Sydney Pollack acompanhou Aretha para a realização do documentário-musical com os bastidores de "Amazing grace". Até hoje ele não foi finalizado, Pollack morreu e Aretha não o libera ao público.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Lavoura arcaica
"O
equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem
souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr
nas coisas não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se
com o que não é. Ai daquele que queima a garganta com tanto grito: será
escutado por seus gemidos; ai daquele que se antecipa no processo das
mudanças: terá as mãos cheias de sangue; ai daquele, mais lascivo, que
tudo quer ver e sentir de um modo intenso: terá as mãos cheias de gesso,
ou pó de osso, de um branco frio, ou quem sabe sepulcral." (Raduan Nassar)
sábado, 7 de julho de 2012
O pior livro de Virginia Woolf ainda assim é um bom livro
"Via a água barrenta e a praia deserta. Mas a vida é vigorosa; o corpo
vive e era o corpo, sem dúvida, que ditava a reflexão que o fez
mover-se. A gente pode, afinal, deitar fora as formas dos seres humanos e
reter, no entanto, a paixão - que antes
parecera inseparável do seu invólucro carnal. Agora essa paixão
queimava no horizonte, como um sol de inverno a abrir no poente uma
janela verde através de nuvens que se adelgaçam. Seus olhos estavam
postos em alguma coisa infinitamente longínqua, remota. Com essa luz
achava que seria possível caminhar; e com ela haveria de encontrar, no
futuro, o seu caminho. Era tudo o que lhe restara de um mundo populoso e
fervilhante." (Noite e dia - Virginia Woolf - página 199 - capítulo 12)
terça-feira, 3 de julho de 2012
Dadaismo
Mas quais são as diferenças entre ser e estar? Hoje eu
estou, amanha eu sou, hoje eu sou isso, amanha eu sou aquilo. Mentira, eu não sou
absolutamente nada de diferente, continuo com o trauma em mim e eu existo
permanecendo no trauma traumático pela traumatização, já que escrevo por não ter
nada a fazer no mundo, sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens,
escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de
me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever eu me morreria
simbolicamente todos os dias, mas preparado estou para sair discretamente pela
saída da porta dos fundos, já experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o
seu desespero e agora eu só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui. Eu não
entendo porque cito tanto Clarice Lispector. Mentira, eu sei: ela me fascina. O
problema é que ela fascina a todos e eu tenho a impressão de que as pessoas
pensam que eu sou clichê. Mas eu não sou clichê. Eu sou um grande intelectual,
um grande escritor, um grande, assim como afirma Jonathan Franzen, eu abro os
olhos da medíocre humanidade. O que significa ser feliz? Eu não compreendo essa
situação, pois vivo de momentos inconstantes, quando um dia tudo é meu e basta
passar o momento de euforia e eu entrar no ônibus para que tudo deixe de ser
meu. A pior coisa foi estar ali sentado na mesa e o homem que não me conhecia,
perguntou: “Mas quem é que escreveu isso?”, de maneira repressora. Alguém diz: “Ele”,
quando eu estava a seu lado. Eu não fui aprovado. Pior que isso é verdade,
realmente verdade. A maior parte do que escrevi é verdade. Acho que esse está
sendo um dos principais motivos para a minha literatura não estar andando. Minha
literatura está sendo muito repetitiva porque eu vivo uma vida muito repetitiva
e como minha literatura é a minha vida , uma é mais viciada que a outra.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
Floresta brasileira produz o tratamento para doenças que até hoje não tinham solução, mas falta de investimentos é problema para as pesquisas - Empresa que explora a biodiversidade nacional já descobriu cerca de 3 mil espécies desconhecidas, porém deve fechar suas portas
As plantas podem curar
doença de Chagas, diabetes tipo II, tuberculose, doença pulmonar obstrutiva
crônica (DPOC) e a tão temida infecção hospitalar. Estas descobertas foram
feitas por pesquisadores da empresa brasileira Extracta, que visa trabalhar a
biodiversidade brasileira para a criação de, principalmente, novos fármacos.
De toda a flora analisada
desde 1998, ano da criação da empresa na Ilha do Fundão (Rio de Janeiro), mais
de cinco mil plantas foram analisadas e impressionantes 63% delas eram de
espécies desconhecidas. Por que, então, o maior acervo nacional de extratos e
compostos obtidos de nossas florestas está perigando de fechar suas portas em
2012? Por que, mesmo podendo curar tantas enfermidades, ainda não há de fato um
remédio para elas?
– Estamos na maior
dificuldade, porque não temos contrato com nenhuma empresa atualmente – afirma
Antônio Paes de Carvalho, diretor presidente da empresa, especialista em
coração e professor emérito da UFRJ. A Extracta cresceu, principalmente, afirma
Carvalho, por causa de contrato de US$ 3 milhões com a empresa farmacêutica
Glaxo.
O contrato é dos anos 1990
e por isso não foi prejudicado pela Medida Provisória (MP) 2186, de 2000. Esta
determinação, diz Carvalho, fixa limites e dificulta a exploração das
florestas, impedindo que se chegue perto da mata, prejudicando o acesso à
pesquisa.
– A grande indústria
internacional se afastou, mas não tem problema, porque posso trabalhar com a
indústria brasileira. Mas nenhuma quis, ou tinha dinheiro, para investir na
Extracta – considera Carvalho, refletindo sobre a realidade dos investimentos
no país.
Já este ano, a Extracta
deve ser desativada como empresa, mas o intuito é de aproveitar tudo o que já
foi feito durante 13 anos e transmitir como conhecimento para a universidade.
Eles querem “acabar com a empresa como negócio”, lamenta Carvalho, em face da
exaustão dos recursos e de não haver nenhum sinal do governo de querer investir
de verdade no tema.
Tema complexo em debates,
a questão do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável é questão delicada
para muitos especialistas do tema. Sem papas na língua, Carvalho pondera sobre
os efeitos do aquecimento global e do medo de se produzir conhecimento por meio
da floresta.
– Eu acho que há várias
coisas que não são exatamente como se diz. Com o aquecimento global não há
nenhuma conclusão sólida sobre ele. Se você ver a temperatura do mundo, existem
grandes oscilações há anos e períodos cíclicos – acredita o pesquisador. –Com
um acréscimo de 0.2 graus, não há consistência científica para se constatar uma
grande mudança no clima – conclui.
O real fator poluidor, garante Carvalho, que
desde 1964 é professor universitário e um dos maiores especialistas do mundo em
coração, não são as fábricas e sim a pobreza. A poluição gerada pela falta de
saneamento básico e mínimas condições de sobrevivência são muito mais
agravantes para o meio ambiente.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
A fina Josefina
Houve uma estória que,
de tão verdadeira, parecia inventada. Era uma vez Josefina, nascida no Morro do
Encontro. Sua mãe, Arlete, morreu quando ela tinha seis anos, de Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida. No Grajaú, bairro que ligava o Morro do Encontro ao
bairro de Jacarepaguá, criou-se meio que sozinha Josefina, ainda que com sua
casa fixa na favela. A pracinha, no centro, rodeada do mercado, da escola, do
restaurante e da igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, foi seu ínterim entre
o fim de sua mamãe de verdade e o começo de suas duas novas mamães.
Linguona e Perseguidinha eram mulheres que viviam em matrimônio estável e amável no barraco construído com muito sacrifício no Morro da Divineia, entre os bairros do Grajaú e Andaraí. Acharam a pequena na Praça Edmundo Rego (pracinha) brincando com os pombos, abandonada e desencontrada. Levaram-na, deram banho, alimentaram bem, a matricularam na Escola Municipal Lourenço Filho e tentaram dar umas cafungadas na moça, já com onze anos, pois não eram suas parentas no fim das contas e isso Deus perdoa. Conseguiam alguma coisa, durante o sono de Josefina.
A trajetória de Linguona e Perseguidinha teve uma separação, apesar de tudo. Linguona vinda do Morro de São João e Perseguidinha dos Macacos, eram como Romeu e Julieta: suas comunidades não eram muito amigáveis uma com a outra. Como fofoca é algo que pega mais que sanguessuga, Linguona ouviu um caso de que Perseguidinha estava de romance com uma moça rica de Ipanema, toda da dondoca e da caminhoneira. Sangue a fervilhar pelas ventas, Linguona mandou que os donos do São João matassem Perseguidinha. Um dia, saindo do 435 (Gávea – Grajaú), vinda do serviço, Bandidão Primeiro e Bandidão Segundo sorrateiros que nem sombra foram atrás da coitadinha. Antes de pisar no primeiro degrau que dava acesso à Divineia, Perseguidinha morreu com dezessete tiros nas costas. O primeiro a matou.
Sozinha, Josefina estava ao esquecimento novamente. Ainda que permanecesse na escola, continuou no analfabetismo e se tornou mulher aos doze vivendo no banco da praça. Ganhou um real por dia por serviços prestados aos taxistas que batiam ponto em frente à Confeitaria Caprichosa. Seus serviços eram prestados no banco detrás dos carros que ficavam ali pela madrugada, ou na Reserva Florestal do Grajaú, com os que trabalhavam de dia. Aos quatorze anos, assassinou no banheiro feminino da escola, com uma navalhada no pescoço, uma periguete que a chamou de puta. E todos foram felizes para sempre. Fim.
Linguona e Perseguidinha eram mulheres que viviam em matrimônio estável e amável no barraco construído com muito sacrifício no Morro da Divineia, entre os bairros do Grajaú e Andaraí. Acharam a pequena na Praça Edmundo Rego (pracinha) brincando com os pombos, abandonada e desencontrada. Levaram-na, deram banho, alimentaram bem, a matricularam na Escola Municipal Lourenço Filho e tentaram dar umas cafungadas na moça, já com onze anos, pois não eram suas parentas no fim das contas e isso Deus perdoa. Conseguiam alguma coisa, durante o sono de Josefina.
A trajetória de Linguona e Perseguidinha teve uma separação, apesar de tudo. Linguona vinda do Morro de São João e Perseguidinha dos Macacos, eram como Romeu e Julieta: suas comunidades não eram muito amigáveis uma com a outra. Como fofoca é algo que pega mais que sanguessuga, Linguona ouviu um caso de que Perseguidinha estava de romance com uma moça rica de Ipanema, toda da dondoca e da caminhoneira. Sangue a fervilhar pelas ventas, Linguona mandou que os donos do São João matassem Perseguidinha. Um dia, saindo do 435 (Gávea – Grajaú), vinda do serviço, Bandidão Primeiro e Bandidão Segundo sorrateiros que nem sombra foram atrás da coitadinha. Antes de pisar no primeiro degrau que dava acesso à Divineia, Perseguidinha morreu com dezessete tiros nas costas. O primeiro a matou.
Sozinha, Josefina estava ao esquecimento novamente. Ainda que permanecesse na escola, continuou no analfabetismo e se tornou mulher aos doze vivendo no banco da praça. Ganhou um real por dia por serviços prestados aos taxistas que batiam ponto em frente à Confeitaria Caprichosa. Seus serviços eram prestados no banco detrás dos carros que ficavam ali pela madrugada, ou na Reserva Florestal do Grajaú, com os que trabalhavam de dia. Aos quatorze anos, assassinou no banheiro feminino da escola, com uma navalhada no pescoço, uma periguete que a chamou de puta. E todos foram felizes para sempre. Fim.
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