sábado, 15 de outubro de 2011

Amor autoflagelado


Eu não tenho motivos para ter vontade de você, mas sinceramente, o que eu tenho a perder? Perder eu já perdi vários, sempre morri, mas constantemente renasci. Então, porque não querer hoje beijar você? Por mais que você não venha a me desejar, morrer uma vezinha de novo não vai fazer muita diferença para uma pessoinha (eu).

O vazio de um cotidiano sem sentimentos é bom. Por apenas algumas breves semanas. Ser vazio é morrer sem querer, involuntariamente, não existir existindo. Por isso que eu quero viver nascendo sempre, tendo razões sempre para ser gentil, bom, engraçado, querido, rejeitado, cuspido, menosprezado. Mas é que hoje eu te quero, hoje eu te preciso e amanhã eu planejo a felicidade.

Não sou muito experiente no amor. Sou apenas experiente em querer amar. Querer amar, não querem me amar. Os outros amam tanto e são amados tanto. Eu sou apenas uma intenção, um projeto, uma mão aberta para você bater.

É muito difícil ser meio bonito e meio feio, porque as pessoas meio que te amam, meio que te odeiam. Nada será seu plenamente. Apenas eu terei que ser obrigado a conviver comigo eternamente, neste ciclo eterno e vicioso chamado amor autoflagelado.

Eu sou feliz?


Eu sou feliz. Tenho duas pernas, dois braços, cabeça, tronco, cérebro, estudo, emprego, livro, mas eu sou feliz?

Tenho família, amigos, sexo, dinheiro, bicho de estimação, mas eu sou feliz?

Já andei de avião, tenho carro, tenho casa, moro bem, tenho televisão a cabo, internet banda larga, mas eu sou feliz?

Tenho comida sempre que quero, tenho liberdade sempre que quero, tenho esperança sempre que quero, tenho arte sempre que quero, mas eu sou feliz?

Já me amaram, eu já amei, já fui namorado, já namorei, já fui amante, nunca me dispus à traição, mas eu sou feliz?

Não fui preso, não tenho doença eterna, não sou cego surdo mudo, não sou obrigado a acreditar em Deus, mas eu sou feliz?

Mesmo você não me querendo, outro vai me querer, mas eu sou feliz?

Minhas orelhas são grandes, o que significa que eu viverei durante muitos anos porque nisso eu acredito, mas eu sou feliz?

Eu faço a arte que quero, mas eu sou feliz?

Vou a quantas festas quiser, já dei quantas festas eu quis, mas eu sou feliz?

Eu sou feliz na medida em que posso, mas não me exijam demais, por favor.

Sou Judas


Eu tenho um buraco e o buraco chama-se eu. Quando eu exponho-me, deixo de ser eu para fora e passo a ser eu para dentro. Ao momento de vomitar tudo em caneta e papel, eu envolvo-me na casinha e não sei mais o que fazer para deixar-me pudico do que dizer. Sai tudo. Quero tudo. Não sei mais de nada e não vejo ninguém a minha frente. Deixo a privacidade da vida em um canto e procuro a universalidade das experiências noutro.

É ruim ter nascido com a função de dizer as coisas: pesa. Poderia estar eclipsado e calmo, mas estou pelado e quase em convulsão. Mentira quando um dia disser que penso em quem lê-me (me lê é feio). Mentira. Penso apenas em mim para me salvar, tentar ser menos obeso, almejar o amor de um fanático.

Sou Judas. Para que você me bata (vem, bate!), sou Judas. Eu escrachei minha vivência, pode me julgar. Tentei ser outra coisa mais normal, mas o desvio me fez ser mais (2x) plenamente. É melhor você dizer que nunca me leu, porque estou com muita vergonha agora.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Problemas técnicos estão transformando o Festival do Rio em uma piada


Já assisti a três filmes e em dois deles tive grandes problemas. “Eu sou Carolyn Parker: a boa, a louca e a bonita”, no Estação SESC Botafogo 1: simplesmente o som das vozes estava extranhamente baixo e o enquadramento nitidamente errado, já que em várias cenas a gente deixava de ver a cabeça das pessoas. Também, ontem, depois de mais de uma hora em um ônibus, cheguei vinte minutos atrasado para ver “Ray Charles America”, no Estação SESC Ipanema 1. No entanto, nem dez minutos eu estava sentado e o filme foi interrompido pelas desculpas da organização: o som externo das músicas estava abafando as vozes dos entrevistados do documentário. Peguei meus oito reais de volta. O problema deve ser mesmo o Estação, porque antes do Festival eu fui a uma sessão de “Namorados para sempre” no SESC Botafogo e o som estava uma boa porcaria. O operador do filme tentou resolvê-lo umas cinco vezes, mas o som das músicas estava extremamente alto, enquanto que o das vozes dos personagens super baixo. Em “O Globo” já li sobre outros problemas de exibição do Festival. Ou seja, como que o “Festival do Rio” pode querer tornar-se uma referência na área com problemas básicos de exibição? Não conseguirei ver novamente o documentário sobre o músico Ray Charles, pois na próxima e última exibição dele já tenho outro agendado. Espero que hoje, no mesmo SESC Ipanema, eu não venha a ter problemas com “Weekend”. Uma pena essas coisas.