terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mais feliz ainda

"Prouvera aos deuses, meu coração triste, que o Destino tivesse um sentido! Prouvera antes ao Destino que os deuses o tivessem!

Sinto, às vezes, acordando na noite, mãos invisíveis que tecem o meu fado.

Jazo a vida. Nada de mim interrompe nada."

(O livro do desassossego, Fernando Pessoa, página 198, Companhia de Bolso)

Feliz

“Súbita falta de ar. Muito antes da metamorfose e meu mal-estar, eu já havia notado num quadro pintado em minha casa no começo. Eu, eu, se não me falha a memória, morrerei. É que você não sabe o quanto pesa uma pessoa que não tem força. Me dê sua mão, porque preciso apertá-la para que nada doa tanto.”

Clarice Lispector (“Clarice, uma biografia”, pagina 555, Benjamin Moser)

Marcel Proust (No caminho de Swann)

“Mas logo o ciúme, como se fosse a sombra do amor, se completava com a duplicidade daquele novo sorriso que ela lhe dirigira naquela noite – e que, inverso agora, zombava de Swann e enchia-se de amor por outro –, daquela inclinação da cabeça voltada para outros lábios e, dadas a um outro, de todas as marcas de ternura que ela tivera para com ele. E todas as lembranças voluptuosas que ele trazia da cada dela eram outros tantos esboços, “projetos” semelhantes aos que nos submete um decorador, e que permitiam a Swann se fazer uma ideia das atitudes ardentes ou lânguidas que ela poderia ter com outros.”

sábado, 10 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Sexo para iniciantes" (13/09, às 19h, Livraria Blooks - Botafogo)

"Sofro tanto quando escrevo que parece que não sei ser outra coisa e tenho medo de assim permanecer e achar que minha felicidade está na tristeza. E é tentando colocar o que quero dizer pra fora que pretendo encontrar uma salvação feliz para mim, por isso que faço esses pedidos de permanência de algo e de mudança de outras coisas no conto, porque acho que o que quis dizer da forma que o fiz é a maneira como quero ser visto e compreendido pelas pessoas."


De Guido Arosa (escritor) para Zeca Fonseca (editor)


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O anjo pornográfico (1912-1980)

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”