terça-feira, 12 de julho de 2011
O fadinho
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce malfadado,
Melhor fado não terá!
Fado é sorte
E do berço até a morte,
Ninguém foge, por mais forte
Ao destino que Deus dá!
No meu fado amargurado
A sina minha
Bem clara se revelou
Pois cantando
Seja quem for adivinha
Na minha voz soluçando
Que eu finjo ser quem não sou!
Bom seria poder um dia
Trocar-te o fado
Por outro fado qualquer
Mas a gente
Já traz o fado marcado
E nenhum mais inclemente
Do que este de ser mulher!
domingo, 10 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
JB, 1º/08/1970, Clarice Lispector, "Miopia progressiva"

O menino era tido como inteligente e astuto em casa. O que ele dizia provocava olhares mútuos de confirmação de sua superioridade. Então ele começou a compreender que dependia dele a boa convivência dos membros da família. Quando não era ele o centro das atenções, eles se desentendiam. Para apoderar-se da chave de sua inteligência, o menino costumava repetir seus ditos; mas ninguém prestava mais atenção. Essa instabilidade dos familiares passou para ele, que adquiriu, então, um hábito mantido o resto da vida: pestanejava e franzia o nariz, deslocando os óculos que usava por causa da miopia. Toda vez que desenvolvia esse cacoete era sinal de que estava interiormente tendo noção de sua instabilidade. Certa vez, disseram-lhe que passaria o dia inteiro na casa de uma prima casada, sem filhos, que adorava crianças. Ali, pressentiu ele, não haveria instabilidade: o tempo todo seria julgado o mesmo menino. Na semana que antecedeu a esperada visita, a cabeça do menino ferveu: como se apresentaria diante da prima? Inteligente? Bem comportado? Quem sabe até como palhaço? Triste talvez? Sentia até aperto no estômago quando antecipava a situação de que ia ser amado sem seleção, sem escolha, o que representava uma estabilidade ameaçadora. Aos poucos, suas preocupações passaram a ser outras: que elementos ele daria à prima para ela ter certeza de quem ele era? Como encararia o amor que ela nutria por ele? Ao entrar na casa da prima, duas surpresas o desnortearam (ele se desnorteava com surpresas): a prima tinha um dente de ouro no lado esquerdo da boca; ela o recebeu com naturalidade, sem evidenciar amá-lo. Já que suas previsões foram por terra, resolveu brincar de não ser nada. No entanto, à medida que o dia avançava, o amor da prima se evidenciou. Era um amor sem gravidez: ela queria que ele tivesse nascido dela; por isso demonstrava o amor estável, a estabilidade do desejo irrealizável. Amor que incluía paixão, a paixão pelo impossível. Quando o menino descobriu o ingrediente da paixão no amor, ele perdeu a miopia e viu o mundo claramente. Foi como se ele tivesse tirado os óculos e a própria miopia o fizesse enxergar. Desde então, talvez, ele adquiriu o novo hábito de tirar os óculos a pretexto de limpá-los "e, sem óculos, fitava o interlocutor com uma fixidez reverberada de cego."
Meu aniversário, profeticamente 20 anos antes do meu nascimento.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
You may not know how to pray, but he loves you when you try
Are you sure your prayers
Haven't been answered?
Now, think
Sister, think
Are you sure your prayers
Haven't been answered?
Now, think
Brother, think
But don't you dare
Say the good Lord
Didn't stop to hear you
He hears and sees
Everything you do
Stop right now
And take the inventory
You'll come up
With a different story
Because He sees
Every move you make
Every wiggle of you head
Every wink of your eye
He sees
The laugh you're laughing
And hears tears you cry
You may not know
How to pray
But He loves you
When you try
So raise your voices high
And the Lord will hear you
Hear you
He sees every move you make
Every wiggle of you head
Every wink of your eye
He sees
The laugh you're laughing
And hears tears you cry
You may not know
How to pray
But He loves you
When you try
So raise your voices high
And the Lord will hear you
Hear you
Are you sure
You haven't been answered?
Now think
You'd better think
Are you sure
Real sure
You haven't been answered?
Now think
Brother, think
Don't you dare
Say the good Lord
Didn't stop to hear you
He hears and sees
Everything you do
Stop right now
And take the inventory
You'll come up
With a different story
Because He sees
Every move you make
Every wiggle of you head
Every wink of your eye
He sees
The laugh you're laughing
And hears tears you cry
You may not know
How to pray
But He loves you
When you try
So raise your voices high
And the Lord will hear you
Hear you
Oh! Raise your voices high
And the Lord will hear you
Hear you
Oh! Raise your voices high
And the Lord will hear you
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Seminário sobre a Praia Vermelha debate valor histórico do campus

Ocorreu, na última terça-feira (28/06), às 18h, no Auditório Manuel Maurício de Albuquerque, no prédio do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), a mesa redonda A Praia Vermelha como um lugar histórico-cultural, última do seminário UFRJ em debate: A situação da Praia Vermelha. O evento contou com a presença do professores da Escola de Comunicação (ECO) Muniz Sodré, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) Carlos Vainer, e da Faculdade de Letras (FL) Edwaldo Cafezeiro, sob mediação da decana do Centro de Letras e Artes (CLA) Flora de Paoli Faria.
De acordo com Muniz Sodré, os cursos não devem sair da Praia Vermelha. Já Carlos Vainer afirma os cursos se centralizarem na Ilha do Fundão está de acordo com o Plano Diretor para 2020, votado pelo Consuni depois de três anos de discussões, e que a universidade deve ser pensada de maneira integrada e ligada à cidade. No entanto, afirma que todas as faculdades têm autonomia para decidirem onde se alocarão.
Valor histórico e Plano Diretor
Segundo Muniz Sodré, a ocupação do Palácio Universitário, em 1971, pela Escola de Comunicação, foi sua forma de preservação. Para ele, desocupar o espaço irá permitir que ele seja degradado. Com isso, argumenta que utilizá-lo até os dias de hoje para ensino não o estaria prejudicando. Afirma também que não concorda com a concentração de toda a UFRJ em um único local, no Fundão. “É essencial manter e preservar a Praia Vermelha, e não se confinar em uma ilha, um paraíso artificial”, diz Sodré. “Temos que repensar politicamente o papel desse local”, conclui o docente.
Já para Carlos Vainer, a universidade deve ser pensada em parceira com a cidade do Rio de Janeiro. Segundo ele, a expressão central do Plano Diretor da UFRJ é: “Universidade centrada que se integra à cidade”. Em argumentos sobre os benefícios da expansão no campus do Fundão, diz que a maioria dos alunos da UFRJ vem de outras regiões da cidade e do estado, que não a Zona Sul. Afirma também que o local é estratégico, localizando-se no centro entre Baixada Fluminense e Rio.
Vainer diz que a Praia Vermelha deve ser vista como parte integrante da UFRJ, como uma agente de políticas culturais da universidade e também como um patrimônio da população. Afirma que a intenção não é a de venda e privatização do local, mas que o Palácio é inadequado para ensino e pesquisa, por sua questão estrutural: “O futuro do Palácio não deve ser o de se fazer mais gambiarras para instalar computadores.”
Sobre as diretrizes do Plano Diretor, assegura que não haverá transferência forçada de nenhuma unidade. Mas que, no campus da Praia Vermelha, devem ser mantidas condições e garantias reais de funcionamento das atividades. A intenção do Plano para o campus é a de, segundo Vainer, se criar um espaço cultural, com um centro de convenções inter-universitário (unindo a UFRJ à UFF, Uerj, UFRRJ e UniRio), em convivência com as unidades que desejem permanecer na Praia Vermelha.
Ato-show com Monarco e Maíra Freitas
O evento gratuito UFRJ em debate: A situação da Praia Vermelha vai até esta quinta-feira (30/06), com um ato-show no campo de futebol da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD), às 18h, com a presença de Monarco, da Velha Guarda da Portela, a cantora Maíra Freitas e convidados da UFRJ. O campus da Praia Vermelha fica na Avenida Pasteur, 250, Urca.
Seminário discute os rumos da Praia Vermelha

Tendo em vista o projeto do Plano Diretor da UFRJ para 2020 e os problemas recentes vividos no campus da Praia Vermelha, como o incêndio na capela do Palácio Universitário e a queda do telhado da Escola de Serviço Social (ESS), teve início na última segunda-feira (27/06), às 18h, o seminário UFRJ em debate: A situação da Praia Vermelha. Até a próxima sexta-feira (30/06) haverá debates e oficinas de arte.
Realizado no Auditório Manuel Maurício de Albuquerque, no prédio do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), o evento foi aberto com a palestra A mercantilização da universidade, pelo professor da ESS/UFRJ Mauro Iasi. Para ele, o perigo da entrada de capital privado nas universidades é deixá-la refém do condicionamento de seus investimentos, sem liberdade para pesquisa, ensino e extensão. Também estiveram presentes, a presidente da Associação de Moradores da Urca, Celinéia Paradela Ferreira, e representantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) Mário Prata e da Adufrj (Associação de Docentes da UFRJ).
Pólo de resistência, para liberdade do pensamento crítico
De acordo com Mauro Iasi, a educação não pode se tornar refém do mercado e necessita voltar à sua vocação de ser livre e de acesso a todos. Para ele, existe uma relação direta entre a vida e a universidade: “A luta da sociedade é a luta da universidade”. Afirma que o capital privado na educação resulta, na prática, em uma liberdade sob chantagem: “Vocês querem ficar na Praia Vermelha? Então, vivam sem manutenção e sob condições mínimas de convivência”. Segundo Iasi, a universidade deve ser um pólo de resistência, para se desenvolver um pensamento crítico: “É possível produzir um conhecimento para o povo dependendo do capital privado? Impossível”.
Empresas investindo em centros de ensino fazem com que as pesquisas sejam direcionadas para setores onde ela deseja se expandir, assim como alguns cursos acabam recebendo mais investimentos que outros, muito por sua própria natureza, a partir da lógica tecnicista: “Um curso de Engenharia é financiado pela Petrobras para fabricar, por exemplo, um tanque. Já estudar políticas público-privadas em Serviço Social acaba recebendo quase nada”.
Segundo o professor, foi a partir da Ditadura Militar que a visão tecnocrática e voltada para o mercado de trabalho tomou conta das universidades brasileiras: “A ideia tecnicista de ensino é elitista e meritocrática, onde se tem o vestibular como funil e os poucos que entram têm o prêmio do ensino superior”. Já com os anos 1970 e 80, o Estado entra em crise e passa a ser considerado pesado e oneroso, sugando o mercado de recursos. Dá-se, então, espaço para a entrada das privatizações, cobrando que o Estado funcione como uma empresa: “É nesse momento que começa uma luta contra a universidade pública, necessitando se criar uma eficácia para o ensino”. O ensino público seria um “ralo para onde iriam os recursos da União”, ressalta Iasi.
Expansão da educação como mercadoria
Com isso, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a expansão das universidades se deu pela lógica do mercado, com expansão do ensino privado e a universidade pública sendo regida pela eficiência, sob um orçamento restrito e acessível para poucos. “O ensino se torna lucro e número de cursos universitários dispara no Brasil”, afirma Iasi, ressaltando que quanto maior a mercantilização, menor é a qualidade do ensino.
Para a presidente da associação de moradores da Urca, Celinéia Ferreira, deve ser pensado em o que o Plano Diretor pretende como projeto: “O que virá depois, no campus da Praia Vermelha, me preocupa muito. Principalmente se aqui se transformar em algo privado, como aconteceu com o Canecão e o Instituto Europeu de Desing, na praia da Urca”.
