quinta-feira, 12 de março de 2009

Metacrime

Hoje, dia 12 de março de 2009, acabarei de ler "Crime e castigo", de Dostoiévski. Desde agosto de 2008 tenho o livro, comprado na Flip (Feira Literária de Paraty). Apesar de tudo, li apenas uma semana, ou algo do tipo, naquele mês. Só regressei nele em dezembro e o termino três meses depois. Vocês querem o que também? Quinhentas e noventa páginas não é muito fácil de se ler, não!

Em breve uma boa conclusão minha sobre a obra.

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Eu estava pensando em fazer uma lista, durante todo o ano, dos livros que eu li. Começarei hoje. Mas apenas divulgarei no blog no fim do ano. Espero ler mais de dez livro, pelo menos. Por enquanto dois já foram lidos nesses três meses: "A metamorfose", de Franz Kafka e "Crime e castigo", de Fiódor Dostoiévski.

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Beijundas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Grajaú City

O Grajaú é um bairro que completa 95 anos de idade em 2009. Mais conhecido por aí como a "Urca da Zona Norte", Grajaú City é a menina dos olhos de quem mora por aqui. A minha, principalmente.

Nasci no Hospital Italiano, ali na Rua Professor Valadares. Fui criado até os 6 anos de idade em uma vila na Rua Itabaiana e depois mudei-me para a esquina da Avenida Evenida Engenheiro Richard com a Rua Canavieiras. Essa última é bem movimentada por carros e ônibus (agora com a companhia igualmente irritante de uma kombi que substitui o 422 - Grajaú . Cosme Velho - aos desavisados) e para os desacostumados, bem irritante. Mas para quem já mora aqui há 13 anos, nada demais.

Ninguém sabe muito bem onde começa, nem onde acaba o bairro. É tudo meio Grajaú, meio Andaraí, meio Vila Isabel. A Tijuca nem é tão infiltrada assim em nossos arredores, pois sabe-se bem definidamente onde ela fica.

Já no que diz repeito à diversão e noite, não temos muito a oferecer. Os dois clubes aqui situados (praticamente ou totalmente falidos), Grajaú Country Club e Grajaú Tênis Clube davam umas festas mais para jovens até 15, 16 anos, com aquelas matinês regadas a Coca-Cola e muito funk. Pouco chato, não? O máximo que já aconteceu por aqui foram as apresentações da banda que relembra sucessos musicais passados, Celebrare, que já tocou também no América, na Tijuca, perto do Instituto de Educação e do metrô da Afonso Pena, assim como o Roupa Nova (os integrantes da banda já moraram aqui e a Jandira, irmã de um dos componentes da banda e atual secretária ou sei lá o quê de Cultura do município do Rio, foi veterana de meu tio na Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), pouco antes do Celebrare, fez os grajauenses rebolarem.

Teatro nós temos. O que já é grande coisa tratando-se de Zona Norte, visto que tudo concentra-se no eixo Barra-Zona Sul. É o Teatro do Country Club. Já foi alguma coisa até o começo dos anos 1990. Depois, entrou em decadência latente. Supostamente revitalizou-se atualmente, nos fins dos anos 2000. Rebatizado como Teatro Dercy Gonçalves, com a presença da mesma no dia de sua "inauguração", deu uma pequena fervida em tão caseiro sítio carioca.

O Grajaú até ganhou uma Casa de Cultura ou o que o valha na Rua Carauaru, mas ela não é notícia, nunca escutei ninguém falando que foi nela, nem nunca soube de nenhuma exposição.

O Jornal do bairro passou a existir ano passado, mais ou menos. Chama-se "Grajornal" e já é alguma coisa para registrar a alma, será?, dos moradores do bairro. Até temos uma "redação" situada aqui. É a do jornal "O Povo" e fica na boca da Grajaú-Jacarepaguá. Mas ele fala é de morto, não de nada mais além disso. E pensando-se bem, esse tal de "Grajornal" tem uma cara de coluna social nos moldes de Hildegard Angel + Amaury Junior, que sangue de Jesus tem poder.

Enfim, e por fim, a Reserva Florestal do Grajaú está aí para ser admirada e contemplada pelos moradores e defensores da preservação das florestas brasileiras. O bairro é excelente por possuir muitas árvores e um clima fresco. Apesar de tudo, a Reserva está tendo muito mais utilidade para os maconheiros de plantão, do que outra coisa.

Os botecos estão se aglomerando. O último que foi aberto foi um na Rua Canavieiras, esquina com Rua Grajaú. Mereceu até uma coluna na "Rio Show", de "O Globo", assim como o "Enchendo Linguiça".

Você espera alguma agitação no bairro após às 23h00min? Pode esquecer. Domingo, então? Ih... Mínima agitação apenas sextas e sábados e bem reservada aos botecos, em sua maioria concentrados ao redor da Praça Edmundo Rêgo.

Concluindo, eu gosto de morar aqui e daqui ninguém me tira. Um bairro que cheira a amizade, a família, a passeio com os cachorros, à corrida dos esportistas. Sendo para falar mal do bairro, apenas grajauenses o podem. Agora, para se falar bem... o mundo é o limite.

domingo, 8 de março de 2009

As faces de 'A metamorfose', ou algo sobre família e infelicidade


Em um livro que não é nem tão curto para ser considerado um conto, nem tão longo para ser considerado um romance, Kafka deflagra a angústia do ser humano diante da pequenez que ele representa para a sociedade em geral. Colocando-se Gregor Samsa como personagem supostamente principal, o autor, ao 'transformá-lo' em inseto, demonstra a inutilidade, imobilidade e asquerosidade daquele homem.
O livro já começa com a apresentação do que se está acontecendo. Logo no primeiro parágrafo, já se sabe que Samsa é qualquer coisa, menos um homem. Em uma análise mais profunda, deve-se verificar tal mutação como meramente simbólica. Ou seja, Gregor Samsa sempre foi um inseto para ele mesmo e sua família, principalmente. Ao ser um caixeiro-viajante, ele não conseguiria criar laços muito fortes com nenhuma pessoa, pois logo estaria em outro local. Seu único 'porto seguro' seria em casa, onde deveria entregar suas economias ganhas, para a satisfação e sustentação do seio familiar. Ele não gosta de seu emprego, mas obriga-se a ser eficiente, pensando nos outros, não em si, não em sua satisfação pessoal, sua autoafirmação.
Quando os parentes começam a bater em sua porta, o fizeram porque o patrão do filho estava na casa, cobrando satisfações. Gregor perder o emprego seria algo impensável para todos.
'A metamorfose', escrito no início do século XX, quando o modelo de produção fabril mundial era o Fordista, que dava prioridade para a produção máxima. Tal modelo só se mostraria relativamente decadente com a Crise de 1929. Sendo assim, consegue-se fazer um paralelo com a obsessão pelo trabalho dos personagens.
Gregor, já fisicamente transoformado, não conseguia se comunicar de maneira satisfatória com a família. Quando ele possuía uma intenção, na maioria das vezes boa, para com os outros, eles não compreendiam. Por exemplo, quando ele tenta pegar sua irmã, que está tocando violino na sala, era apenas para salvá-la do constrangimento. Mas seus pais viram em tal atitude algo de errado. Isso demonstra, psicologicamente, a falta de acesso entre familiares. Hoje em dia, queixam-se que o computador e televisão afastam pais e filhos, criam barreiras. Mas nos anos 1910 e em todas as outras épocas, já existiam e sempre existirão problemas nessa área.
Os pais nunca ficaram satisfeitos com as atitudes de Gregor. Vide quando reclamaram que a casa em que moravam era grande demais. A impressão que se tem é a de que os pais o odeiam ao ponto de poderem achar que Samsa tranformou-se em insete, ou o que o valha, apenas para atormentá-los.
O inseto ainda luta, ou ainda possui naturalmente, uma humanidade. Isso é evidente no que diz respeito à sua alimentação e seus pensamentos. Ao mesmo tempo que ainda tem noção de si mesmo como pessoa, ele vai deixando de comer os alimentos que geralmente homens comem. Desta forma, gradativamente, Samsa vai se transformando mais e mais inseto.
Sob certa ótica, a única pessoa que o 'suportava' era a última empregada doméstica que tiveram. Ela que avisou os pais de sua morte. Ela não tinha nojo dele, como os outros. Creio que ela saiu da casa diante da indiferença dos outros familiares para com Gregor.
Para finalizar, Gregor nunca mostrou-se independente e com vontade própria. Antes de se ver inseto, sempre o foi de fato.
E quem é o verdadeiro personagem principal da estória? Gregor Samsa, que morre antes do final do livro, ou a família dele, que vê-se feliz e finalmente realizada após a morte do mesmo?

sábado, 7 de março de 2009

Estupra, mas não mata


Quando a menina de nove anos de idade engravidou, no Nordeste, do pai de trinta e seis anos, pensei: "O mais sensato a ser feito é, obviamente, o aborto". Apesar de tudo, creio que a Igreja Católica Apostólica Romana não compartilha dos mesmos preceitos que eu.

O Estado já é separado da Igreja há tempos. Concordo que cada instituição tem o direito de manter suas próprias concepções. Mas mesmo assim, é um pouco complicado compreender a razão que levou a Igreja a excomungar as pessoas envolvidas na operação de retirada dos gêmeos, e não fez o mesmo com quem estuprou a nem pré-adolescente, coitada. Pois eu posso até não concordar com a excomunhão, mas seria muito mais correto da parte deles punir o pai da criança também. Desta forma, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, reitera que estuprar pode, matar não.

Isso nos faz lembrar a grande frase proferida por Paulo Maluf, lembrada na edição de hoje, 7 de março de 2009, por Merval Pereira, em sua coluna na página 4 do jornal "O Globo".

Quem concorda com as atitudes da Igreja nesta questão está se equivocande grandemente. Eu possuo um primo de segundo grau que é padre, iniciado no Brasil e formado no Peru, sendo agora tranferido para a Argentina. Tenho noção de que ele também não concordaria com tais atos. Sou batizado, fiz minha primeira comunhão, mas cansei de acreditar em certos dogmas eclesiásticos e passei a crer apenas nos conceitos mais amplos ministrados pela Igreja, qualquer igreja.

Faça o bem ao próximo. Isso já me basta para seguir feliz vivendo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Por um triz


Qual a razão para todo edital de concurso literário exigir que os contos que devem ser enviados para análise necessitam ter no máximo seis páginas? Os contos que eu escrevo chegam realmente a seis páginas, mas com um certo espaçamento mínimo entre as linhas. Sendo que eles sempre pedem um de um e meio, o que faz, invariavelmente, meus contos ocuparem sete páginas.


Ou seja, nunca ganharei R$3.000,00 em concurso algum apenas pelo fato de meus contos ocuparem seis folhas e meia com um espaçamento de um e meio entre as linhas.


Avaliados crápulas.

terça-feira, 3 de março de 2009

Só sentimento


Eu encontrei minha nova Aretha Franklin: Nina Simone.


Vejam, no You Tube, a apresentação dela de "Feelings", no Montreux Jazz Festival, em 1976, e entendam do que digo.


segunda-feira, 2 de março de 2009

Coisas do blues & jazz


Por esses dias estava zapeando pelo YouTube e descobri uma música cantada por Etta James, no LP "I just wanna make love to you", chamada "My funny Valentine". Depois de deliciar-me com tal canção, catei lá mesmo no site para saber de haviam outras versões cantadas por outros cantores para a música. Foi aí que descobri um homem chamado Chet Baker.


Nascido em 1929 nos Estados Unidos, sob nome de Chesney Henry Baker Jr, começou a entrar para o mundo do jazz aos 10 anos de idade, quando seu pai, igualmente músico, deu para ele de presente seu primeiro instrumento musical, um trambone.


Acossado pelo mundo das drogas, chegou a entrar em várias encrencas, como a prisão e a porrada. Chegou a perder dentes, segundo algumas línguas, em consequência do não pagamento de uma compra de entorpecentes.


Morreu em 1988, em condições muito suspeitas. Caiu de uma janela de um hotel em Amsterdã. Jogado ou caído? Eis a questão. Seu grande sucesso de carreira, claro, foi "My funny Valentine", sussurrada, inspirando bossa-novistas como João Gilberto.


Apesar de tudo, seu som é de primeira qualidade. Tanto o da voz, quanto o que tira do trambone etc.


Assim como Chet, Etta James já não está entre nós. Entretando, deixa-nos sua voz, para eternizar corações alegres e tristes.


E por falar nela, ano passado, na terra do Tio Sam, foi lançado o filme "Cadillac Records", sem previsão de estreia em terras tupiniquins, com Beyoncé Knowles interpretando brilhantemente Etta.


Vale a pena conferir. Tanto Chet, quanto Etta, quanto Beyoncé.